Roblim
Há artistas que registram o tempo.
Roblim prefere colecioná-lo.
Nascido em Boa Viagem, Pernambuco, encontrou ainda menino, entre as paisagens do interior brasileiro, uma escola que não cabia dentro de nenhuma sala de aula. Ao mudar-se para Goiás, fez das margens do Rio das Almas um ateliê sem paredes, onde aprendeu a observar a delicadeza das folhas, o movimento dos peixes, o voo dos pássaros, a força das árvores e os silêncios que habitam o cerrado.
Antes mesmo de conhecer as tintas convencionais, experimentava criar com aquilo que a realidade lhe oferecia. Seus primeiros trabalhos nasceram com tinta de pintar sapatos, revelando uma característica que atravessaria toda a sua trajetória: transformar o comum em extraordinário.
Essa capacidade de enxergar beleza onde muitos veem apenas passagem acompanha toda a sua produção artística. As taperas, as casas simples, as paisagens do sertão, o povo brasileiro, a fauna, as memórias da infância e os pequenos gestos do cotidiano aparecem não como registros documentais, mas como territórios afetivos, onde cada obra preserva uma história pronta para continuar sendo contada por quem a contempla.
Sua técnica em relevo tornou-se uma assinatura estética inconfundível. A matéria deixa de ser apenas superfície e passa a dialogar com a luz, criando obras que parecem guardar o tempo em suas próprias texturas.
Durante o período em que serviu ao Exército Brasileiro, no Quartel de Ipameri, a arte permaneceu presente como companheira inseparável, confirmando uma vocação que jamais se afastou de sua caminhada.
Radicado em Goiânia, Roblim construiu uma obra plural, cuja linguagem ultrapassa fronteiras e técnicas. Além da pintura, desenvolve esculturas, carrancas, máscaras, cerâmicas, trabalhos em pedra e madeira, explorando diferentes materiais sem abandonar a identidade poética que une toda a sua produção.
Sua arte nasce do Brasil, mas não se limita a ele. Embora carregue a rusticidade do barro, a luz do cerrado e a memória do sertão, suas obras falam sobre aquilo que pertence a qualquer pessoa, em qualquer tempo: a infância, o afeto, o humor, a esperança, a saudade, a fé e a permanente capacidade humana de transformar lembranças em futuro.
Mais do que representar lugares, Roblim revela pertencimentos.
Cada obra é um convite para permanecer um pouco mais diante da vida.
Porque algumas imagens não ocupam apenas as paredes.
Elas passam a morar dentro de quem as contempla.
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